sexta-feira, 5 de março de 2010

Maria Rebelo Pinto


'Do que eu tenho mais saudades é de acordar e não pensar em nada'

segunda-feira, 1 de março de 2010

"Estranho"


Recordo nitidamente o dia em que te vi... Estavas tu, parado na estação de comboios, de costas voltadas para aquele aglomerado de sombras em movimento e negras. Eu, de bilhete na mão, procurava algum buraco para me enfiar mas nada encontrava até que, como se uma ragada de vento me tivessem empurrado, fui contra o teu corpo imóvel e duro. Demoraste alguns minutos a virar-te mas eu,não sabendo porquê, continuei ali parada à espera que te virasses para me encarar. Passados os ditos infernais miinutos, viraste-te calmamente e serenamente. Os teus olhos verdes escuro foi a primeira coisa que vi. Fiquei sem ar ao encará-los... Pareciam uma floresta sem fim, serena e harmonizante.
Só as tuas breves palavras "sim?" me devolveram novamente à vida fazendo-me, desta vez, corar de embaraço e incómodo. Respondi, com a voz a tremer e a falhar por entre os intervalos de respiração: "só lhe queria pedir desculpa".
De repente e, estranhamente sereno, respondeu-me: "por o quê?". O seu hálito destraiu-me por um longo bocado. Este cheirava a menta e mel, um cheiro que me fez tremer as pernas. "Eu fui contra si ..."- tão estúpida que era.
Soltou umas gargalhadas que me soavam como uma sinfonia.
Esboçei o meu melhor sorriso e li, nos seus profundos olhos, que ele também tinha gostado daquele momento. Senti uma felicidade imensa dentro de mim.
Nunca me tinha sentido assim ... E nunca pensei que um "estranho" me pudesse perturbar tanto apenas nuns minutos.


Espero um dia encontrar-te meu aanjo!*