sexta-feira, 5 de março de 2010

Maria Rebelo Pinto


'Do que eu tenho mais saudades é de acordar e não pensar em nada'

segunda-feira, 1 de março de 2010

"Estranho"


Recordo nitidamente o dia em que te vi... Estavas tu, parado na estação de comboios, de costas voltadas para aquele aglomerado de sombras em movimento e negras. Eu, de bilhete na mão, procurava algum buraco para me enfiar mas nada encontrava até que, como se uma ragada de vento me tivessem empurrado, fui contra o teu corpo imóvel e duro. Demoraste alguns minutos a virar-te mas eu,não sabendo porquê, continuei ali parada à espera que te virasses para me encarar. Passados os ditos infernais miinutos, viraste-te calmamente e serenamente. Os teus olhos verdes escuro foi a primeira coisa que vi. Fiquei sem ar ao encará-los... Pareciam uma floresta sem fim, serena e harmonizante.
Só as tuas breves palavras "sim?" me devolveram novamente à vida fazendo-me, desta vez, corar de embaraço e incómodo. Respondi, com a voz a tremer e a falhar por entre os intervalos de respiração: "só lhe queria pedir desculpa".
De repente e, estranhamente sereno, respondeu-me: "por o quê?". O seu hálito destraiu-me por um longo bocado. Este cheirava a menta e mel, um cheiro que me fez tremer as pernas. "Eu fui contra si ..."- tão estúpida que era.
Soltou umas gargalhadas que me soavam como uma sinfonia.
Esboçei o meu melhor sorriso e li, nos seus profundos olhos, que ele também tinha gostado daquele momento. Senti uma felicidade imensa dentro de mim.
Nunca me tinha sentido assim ... E nunca pensei que um "estranho" me pudesse perturbar tanto apenas nuns minutos.


Espero um dia encontrar-te meu aanjo!*

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Desejo*


Desejo tocar-te suavemente nas costas, sentir o teu respirar no meu pescoço, saborear o sabor dos teus lábios encarnados, sentir-te outra vez parte de mim.
Desejo que voltes a ser SÓ MEU!

DESEJO QUE VOLTES PARA MIM!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Olhar*


Sentia-me sozinha, perdida naquele amplo hall cheio de pessoas desconhecidas e insignificantes. Não me podia agarrar a ninguém, não podia falar com ninguém. Era uma desconhecida no meio daquele aglomerado de pessoas.
Caminhava sem rumo, sempre em frente com os olhos pousados no chão cinzento e de aspecto frio, até que embati em um corpo duro, musculado ... Obriguei-me a olhar para cima e a primeira coisa que encontrei foi uns olhos azuis e brilhantes a fitarem-me. Perdi-me naquela imensidão de beleza e pureza mergulhada num segundo de prazer profundo. Ao fitar aqueles olhos fui embrulhada numa corrente eléctrica de prazer relaxando o meu corpo que, até aquele momento, estava duro e rijo.
A partir daquele momento já não me sentia uma desconhecida, aquele lugar já nao era desconheçido.
Tinha encontrado, finalmente, o meu lugar no mundo!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Mudança.


Mudança é um conceito tão mundano actualmente que se tornou superficial. Mudança de casa, de escola, da cor de cabelo.
Mas... Há aquelas mudanças inevitáveis. Rápidas, violentas. Levam-nos tudo, por tempos infindáveis. Vão sulcando cicatrizes profundas nos mais desprotegidos recantos do nosso ser. Deixam-nos nus, sozinhos perante um mundo frio e cruel. São as mudanças em que um lugar vazio nos passa a enfrentar. Em que uma mão que sempre se estendia recua diante dos nossos olhos. Não a conseguimos agarrar. Desaparece. E o tempo passa. Olha com indiferença, imparcialidade, e continua a andar. Não se importa se alguém é deixado para trás. Não espera. E a luta contra o tempo é difícil. Cada minuto continua a contar, cada segundo corre. E pisam quem luta, quem sofre. E ultrapassam. E deixam para trás.
Mas tudo continua e quase ninguém desta multidão de vida e sentimento diria que algo mudou. Apenas uma alma o sente, enquanto recorda o olhar, o falar, o ser de alguém que já não volta.
Porém, devem ser estas mudanças apelidadas desta forma, quando apenas nós próprios nos apercebemos delas? Quando só nós sabemos o pedaço de ser que nos foi arrancado, que foi e continua a ser sulcado pela memória e saudade? Sim. Pois estas são, para mim, as verdadeiras mudanças. As que vão para além da compreensão do conjunto e afectam verdadeiramente o sujeito.
Avó. Relembrarei os teus olhos de ternura. E a tua voz. A tua simples presença. Ainda me falas. Ainda me olhas. Ainda me tocas. E sempre o farás. Tenho de sorrir, então. Porque se te custava andar é porque usufruiste de toda a vida que tinhas. É porque correste, dançaste, brincaste, trabalhaste. Se te custava falar é porque disseste, riste, cantaste, gritaste. Acima de tudo, viveste. Assim, tenho de soltar as amarras que me prendem. Lutar contra a mudança mas não a aceitar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Preto.


Lá estava eu, sozinha no meio daquele quarto escuro, grande e vazio...
Tentava, com todas as minhas forças, levantar-me daquele chão frio e deslavado mas não conseguia. Por mais que tentasse, não havia maneira de me conseguir libertar daquela solidão tão dolorosa e assustadora.
Soava, chorava e gritava mas de nada valia, só me cansava ainda mais. Tinha a sençação de que estava sozinha no Mundo pois, por mais que gritasse, ninguém me ouvia.
Estava a sofucar do meu próprio desespero. Precisava urgentemente de ir lá para fora, respirar aquele ar puro, tocar nas folhas, ver o céu, sonhar com a felicidade.
Naquele quarto escuro, só pensava em morrer, só pensava em despareçer e onde a felicidade é impossivel de alcaçar.
Passava os dias gritar por AJUDA, a chorar por amor, a dormir por morte.
Calculava que o meu corpo parecesse um cadáver, pois quando lhe tocava só sentia ossos. Era normal, pois já não comia à dias ...
Ansiava por abraçar e beijar alguém, sentir o respirar dessa pessoa e a sençação de sentir o seu toque quente e calmante na minha pele lívida e fria.
Era como se eu já estivesse morta, morta para o Mundo.
Tentava parar o meu coração, arrancá-lo às vezes, para que assim o sofrimento acabasse, a minha vida acabasse, mas ele insistia em bater. E a cada batia, o meu corpo contraía-se pois era mais um milésimo de segundo de dor na minha pobre vida, se é que se pode chmar vida.
Será que era tão dificil concretizar um sonho como o este: Querer partir para um lugar melhor, para onde tivesse a opurtunidade de sonharm, de talvez ser feliz, de sorrir?
Por mais que pense não consigo achar o poder do meu olhar!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Melhor amigo.


Hoje, quando acordei, parecia que tudo o que tinha feito naquelas semanas árduas e difíceis tivessem ido por água abaixo... Parecia que todos os meus planos,sonhos,expectativas ficaram submersos sobre um rio leitoso e que eu nunca os poderia destapar.

Senti-me tão frustrada...
Vocês sabem como é mau, depois de tanto esforço e dedicação numa coisa, essa mesma ter sido morta, arremessada para um lá sei onde muito longe.

A minha cabeça começou a escaldar e o meu corpo a doer como se tivesse coberto de nódoas negras e profundas que me tentavam, a todo o custo, arrancar o coração frágil e vulnerável nesta manhã, quando tentei levantar o braço para ver que horas eram no meu telemóvel.
Depois de 4 tentativas sem resultados alguns, desisti, rendendo-me às forças inimaginávelmente brutas mas cheirosas dos lençóis rosas e verdes da minha cama. Afaguei a minha cara na almofada de pêlos beije e lá fiquei, de olhos fechados e com a testa a suar, ausentando-me da realidade passo a passo tentando chegar ao inimaginável. Fiz isto irracionalmente num acto desesperado de tentar omitir as feridas que teimavam a doer mais e mais a cada segundo.

Para que é que lutei? Para que é que me esforçei? Para que é que me magoei? Para que é que me chateei? Para que (...)

Estas perguntas irritantes e dolorosas, que me feriam a cabeça com guinadas fortes mas silenciosas, perduraram horas e horas no meu cérebro morto que já nem se importava não dando mais luta.

Fiquei ali na cama horas e horas, como um ser morto ... Não me queria levantar pois sabia que o meu corpo me ia doer, nao queria, também, pensar pois isso era uma forma de salientar aquelas tão insursedoras guinadas que teimavam em não desaparecer. Será que iria ficar assim para sempre, deitada numa cama com o corpo estacado num estado parapelégico? Talvez sim, talvez não.

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Não sei o que se passou, pois não me lembro de mais nada ...

Só me lembro de sentir uma mão suave na minha cabeça e uns lábios macios e frescos no meu ouvido a sussurrar palavras que eu ainda não estava apta a conseguir identificar mas que queria muito conseguir.
O seu cheiro irresistível era-me familiarmente conhecido mas não conseguia, naquele momento, conseguir pensar em alguma pessoa, mesmo na mais importante, pois aquelas guinadas magoavam-me como um fósforo magoava a inocência de uma frágil criança.

Foi então que consegui abrir os olhos secos e vermelhos consequências das lágrimas salgadas que me caiam pela cara.

Por momentos pensei que eram um deus que me tinha vindo buscar, por outros momentos pensei que tinha morrido e que estava no céu.
Mas depois de esforçar a minha cabeça a pensar racionalmente, vi que aquele ser maravilhoso e realmente bonito era uma das pessoas mais importantes da minha vida, o meu mais que tudo, o meu melhor amigo.

Toda a minha dor desapareceu, todos os meus problemas foram agarrados e trancados numa gaveta muito forte e dura, num canto muito insignificante do meu coração.
A sua voz prenunciava o meu nome fazendo-o o nome mais bonito que alguma vez existira porque estava a ser sussurrado pelos seus lábios em viagem aos meus ouvidos maravilhados.
Ele puxava me delicadamente para o seu colo e o meu corpo, à medida que ele o puxava, ia ganhando mais vida e força.
Parecia que tínhamos sido feitos um para o outro, o meu corpo moldava-se ao seu perfeito e suave encaixando-se em todos os espaços abertos para mim, só para mim.
Tentei que a minha cabeça chegasse perto da sua e que os meus lábios chegassem à sua bochecha rosada e quente para que lhe pudesse mostrar que estava bem. Mas nao o conseguia fazer. Por mais óptima que me sentisse, eu tinha que ser realista... Estava fraca, o meu corpo estava fraco.
E ele, vendo o que eu tencionava fazer mas que não conseguia, puxou-me para mais perto dos seus lábios e beijou-me na cara suavemente e delicadamente. Sentia o seu ar fresco e puro na minha bochecha e por momentos arrepiei-me.

Depois virou mais um pouco a minha cara e segredou-me ao ouvido:

- Já tinha saudades do teu cheiro meu amor.

Eu queria dizer alguma coisa mas não conseguia forçar as palavras a saírem da minha boca sem sabor e seca.

- Err ...

- Amor, agora descansa porque tu precisas. Vou estar sempre aqui.

E colocou a minha cabeça debaixo do seu braço. Conseguia ouvir o seu coração.
Coloquei, então, a minha mão por cima do sitio onde senti o forte, constante perfeito bater do seu coração.

E adormeci com ele a sussurrar-me a palavra "Amo-te" no meu cabelo molhado e desgrenhado. Nada me importava, só ele.



(...)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O meu sonho.


Este foi o meu sonho.

Estava um dia quente quando fui ao centro comercial. Não sei que tinha ido lá fazer… Só sei que estava com a minha melhor amiga.
A rapariga que toda a gente gostava… a popular, a linda, a divertida, a minha perfeita melhor amiga.
De repente, só me lembro de toda a gente do centro comercial começar a atirar balões de água umas às outras, por brincadeira. Entrei na brincadeira um pouco e fiquei completamente molhada. Não me lembro de nenhuma cara.
Estava no primeiro andar, a passar pelas escadas para o segundo.
“Hey” disse uma voz. Olhei para o cimo das escadas e estava lá um rapaz, que tinha, por volta de 17 anos. Não me lembro da cara dele, mas sei que era lindíssimo.
“Eles estão todos no terceiro andar.” Respondi ao estranho, pensando que estava a tentar procurar as outras pessoas. Ele tinha as roupas molhadas e estava com falta de fôlego. Subi as escadas e ele sentou-se ao lado destas; encostou-se à parede, sentado, arfando.
Sentei-me ao lado dele e ele virou a cara para o lado oposto, parecendo verificar alguma ferida ou assim.
“Marta.” Disse, erguendo a minha mão à frente dele. Ele tomou-a e olhou para mim.
“Duarte.” Respondeu. Sorri.
“Que estupidez.” Disse-lhe
“É completamente maluco.” Respondeu.
Mais um espaço em branco na minha memória e/ou sonho.
Só me lembro de estarmos a andar pelo centro comercial. Pelo segundo piso, onde não estava ninguém.
Estávamos a falar. Esqueci-me do assunto…
De repente, aparece a minha melhor amiga. Que cumprimentou-o e depois… desapareceu.
Continuamos a falar e a andar. Parecia não me fartar de estar com ele, e ele também não.
“não gostas dela?” perguntei-lhe, referindo-me à minha melhor amiga.
“uhm, nem por isso. Demasiado popular para o meu gosto. Demasiado perfeita. Prefiro raparigas com falhas. Não existem pessoas perfeitas, por isso ela deve ter um grande, grande defeito escondido.” Sorri.
“A sério? Pensas mesmo isso?” perguntei-lhe, incrédula. Nunca conhecera ninguém que não a adorasse só de a ver.
“Sim.” Ele sorriu para mim e eu senti-me a derreter ao seu gesto. “Gosto de pessoas como tu.” Disse, inclinando para pôr a sua cara a meu nível, sorrindo. Sorri-lhe de volta.
E aí, acabou o meu sonho.
Onde estás Duarte?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Memórias da Meia Noite


Comecei 2010 de uma maneira um pouco diferente.
Quando tocaram as doze badaladas que anunciavam o fim de um ano que, para mim, foi maravilhoso e cheio de alegrias e o início de uma nova etapa na minha vida que poderia mudar-me e mudar tudo o que já criei ou apenas prolongar o que fiz com esforço e dedicação, pensei em tudo o que foi a minha vida até aquele momento.
Como tinha sido feliz, como tinha usufruído de momentos únicos e não tinha dado por nada, como tinha amizades que já duravam 12 anos, como tinha crescido intelectualmente, como a minha maneira de pensar tinha evoluído, como os meus sentimentos estavam mais esculturados, como muita coisa tinha mudado.
Só nesses 12 segundos é que me dei conta de que era uma sortuda.
Tinha vivido a minha infância de uma maneira tão entusiástica mas não me dei conta disso.
Só pensava em crescer, ter corpo de mulher, puder usar lipgloss escuro e ter a possibilidade de sair à noite. Mas agora vejo que a minha infância foi que me moldou, que me fez o que sou agora.
Os meus amigos, que já me acompanham à 12 anos, são o meu suporte para ultrapassar os problemas de uma maneira mais tranquila e, por vezes, dou por mim à noite, no meio de um acampamento frio, a rever os momentos que tivemos desde que éramos pequeninos. São esses momentos que me fazem feliz, ainda hoje. Se não os tivesse não tinha o brilho nos olhos que tenho. Se não tivesse tido a oportunidade de viver esses momentos nesta altura da minha vida, não tinha o que falar até às tantas da madrugada com os meus fiéis amigos, porque não os tinha.
A amizade infantil faz parte de mim e está apenas adormecida mas à noite acorda e revela-se, moldando o meu coração à sua tese de sentimentos que me permitem ser feliz.
Faz-me acreditar que posso voar, que posso sonhar e alcançar o infinito da minha imaginação. Faz-me acreditar em mim!


Meia noite, à luz da lua, caderno molhado